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Lucros e dividendos da paternidade madura

Patrícia, Wlade, Juju e Letícia: família é rede de muito amor

Antigamente, algumas galinhas e uma boa horta no quintal eram quase suficientes para se criar os filhos. As famílias começavam a ser geradas por pais muito jovens, mas a situação mudou, especialmente nos últimos 40 anos, junto com a evolução capitalista, a inserção da mulher no mercado de trabalho e a necessidade maior das pessoas em investir nos estudos. A condição financeira do casal e seu sucesso na carreira, são hoje fatores determinantes na escolha pela paternidade mais tardia.


Especialistas em medicina afirmam que há uma tendência irreversível nessa escolha por filhos em idades mais avançadas, principalmente porque a medicina evoluiu e as mulheres já podem fazer essa opção com menos preocupação. Assim, ter filhos após os 30 e até 40 anos de idade passou a ser normal e, se houver dúvida ou receio, é recomendável procurar um médico geneticista para fazer um diagnóstico pré-concepcional e sentir-se mais seguro.
A dinâmica da relação entre o casal também leva à paternidade tardia. Os homens hoje em dia sentem maior necessidade de participar dos cuidados com os filhos. E curtem bastante! Porém, como nossa sociedade é incoerente, em contrapartida há cerca de 4 milhões de crianças brasileiras sem o nome do pai registrado na certidão de nascimento. 
Meu irmão Thiago, 36, e minha cunhada Talita, 32, acabaram de ganhar nosso Miguel. O Thiago é gordinho por conta de medicações para controlar problemas cardíacos e também de um bom garfo, mas sua preocupação com a saúde e a condição física aumentou depois que começou a se tornar pai, quando soube da gravidez. “Tenho que me cuidar para poder brincar com meu filho sem limitações.”

Thiago e Talita namoraram, como costumo brincar, por 200 anos! Ok, foram 10, acho bastante. Casados há cinco anos, eles decidiram buscar uma vida financeira mais sólida, até para melhorar as condições de educação dos futuros filhos. Também queriam curtir um pouco mais como casados. “Mesmo com toda essa programação, é difícil falar que conseguimos, pois muita coisa acontece entre o que você deseja, o que programa e o que consegue realizar. Mas acredito que agora estamos mais bem preparados para a vinda do Miguel, principalmente em termos emocionais”, ressalta o Thiago.


Meus amigos Wladimir Seixas, 55, e Patrícia Polacow, 42 (jornalista das boas, minha amiga faz tempo), resolveram ter a Juliana há seis anos e há dois chegou Letícia. A conquista dos objetivos acabou levando à gravidez mais tarde. A diferença de quatro anos entre uma gestação e outra, ficou por conta de uma maior sensação de cansaço. Hoje, para evitar a falta de disposição para as brincadeiras e darem toda a atenção que as meninas exigem, Patrícia e Wlade procuram cuidar melhor da saúde e manter uma rotina que facilite a vida da família.

Se fosse mãe aos 20 seria diferente? Ela acredita que sim, na questão da disposição. Mas a maturidade tem a beleza da paciência, do equilíbrio emocional, da clareza do conhecimento e esses adjetivos, acredita a Paty, a tornam uma mãe mais generosa. “Eu não tinha maturidade aos 20, era mais passional, mas hoje encaro o mundo de maneira diferente, mais calma. Acho que sou uma mãe melhor hoje do que seria há 15, 20 anos.”

Eu já contei que tive minha Mariana aos 19 e posso garantir que havia em mim toda a energia do universo. Acho até que era mais criança que ela. A vontade de oferecer a ela um futuro mais confortável, levou a mim e ao papai Alexandre, meu ex-marido, a trabalharmos e estudarmos bastante, o que consumiu muito do tempo que poderíamos ter dedicado a passeios mais longos, programas mais estruturados. Mesmo assim, demos conta e as coisas saíram até melhores do que imaginávamos.

Se fosse mãe aos 35 seria diferente? Sempre é, acredito. Não há idade para nascer um pai e uma mãe. É preciso observar as limitações do organismo e preparar o coração para essa aventura deliciosa que é se ver maluco entre o choro da madrugada, um chicletes colado no cabelo, um sofá riscado com canetinha e o sorriso do “te adoro, mamãezinha/ papaizinho”, que pode nos bombardear a qualquer instante. Previna-se! Deixe preparadinho seu abraço apertado!


Um beijo carinhoso, 

Dani

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